Problema + difícil 83-1
Fonte: Questão 2 da 2ª prova da Escola de Engenharia - UFRGS - 1976.
Na Figura 83-01.1 o circuito é simétrico, equilibrado e a sequência de fases é inversa ou BCA. Sabe-se que a tensão de linha
VCB = 500∠0° V e a corrente IA = 8,66∠65° A. Além disso, sabe-se que
V1 = 450 V e V2 < |VCB|. Determine:
a) as correntes de fase.
b) os valores de r, X1 e X2.
c) a fase de V1.
Figura 83-01.1
Solução do Problema + difícil 83-1
Item a
Devido a sequência ser inversa e sendo o circuito equilibrado, pode-se escrever as
outras duas correntes de linha, pois estão defasadas de 120°. Então:
IB = 8,66∠185° = 8,66∠-175° A
IC = 8,66∠-55° A
Sabe-se que na sequência inversa a corrente de fase atrasa 30° em relação à corrente de linha e
sua magnitude é dividida por √3. Logo:
Iab = 5∠35° A
Ibc = 5∠-205° = 5∠155° A
Ica = 5∠-85° A
Item b
Como o problema forneceu o valor de VCB = 500∠0° V, isto implica que
VBC = 500∠180° V, VAB = 500∠60° V e VCA = 500∠-60° V.
Ora, como se conhece o valor das tensões e correntes que circulam pelos ramos então se pode calcular
as impedâncias de cada ramo. Como o circuito é equilibrado, os valores serão iguais para as três fases.
Fazendo para a fase BC:
ZBC =VBC /Ibc = 500∠180° / 5∠155° = 100∠25°
Transformando para a forma retangular:
ZBC = 90,63 + j42,26 Ω
Comparando este resultando com os elementos do ramo BC, determinamos os valores de R1 e X. Então:
R1 = 90,63 Ω e X = 42,26 Ω
Agora, comparando este resultando com os elementos do ramo AB, conclui-se que R1 = 3 r e X é o mesmo valor já calculado acima. Então:
R1 = 3 r = 90,63 Ω ⇒ r = 30,21 Ω
Para se determinar os valores de X1 e X2, no ramo CA, e levando-se em consideração que o circuito é equilibrado, pode-se concluir que:
X = X1 + X2 = 42,26 Ω
Desse resultado é possível perceber que X1 e X2 não podem, simultaneamente, assumir valores negativos. Vamos utilizar o dado fornecido onde V1 = 450 V. Como se conhece o valor de Iab e o valor de r, pode-se calcular a tensão entre os pontos A e u, a qual será denominada de VAu. Assim:
VAu = r Iab = 151,05∠35° V
Por outro lado, pode-se calcular a tensão entre os pontos A e x, pois:
VAx = j X1 Ica = 5∠-85° X1∠90° = 5 X1∠5°
Observe que se substituiu o valor de j pelo ângulo de 90°. Calcula-se VAx
apenas para determinar qual o ângulo que existe entre VAu e VAx.
Basta subtrair os valores dos ângulos das duas tensões, ou θ = 35° - 5° = 30°.
Relembrando a equação que se deve utilizar para somar fasores quando estes formam um ângulo
entre si diferente de 90° , 180° ou 270°:
V12 = VAu2 + VAx2 + 2 VAu VAx cos θ
Trabalhando algebricamente essa equação e substituindo pelos valores numéricos conhecidos, obtém-se a seguinte equação do segundo grau:
VAx2 + 261,63 VAx - 179.684 = 0
E assim, encontra-se dois valores para VAx, ou:
VAx = 312,8 V e VAx = -574,43 V
Porém, conforme o enunciado do problema a condição V2 < |VCB| = 500 deve ser satisfeita.
Pelo circuito, V2 = VAx. Logo, deve-se descartar o segundo valor encontrado, ou
VAx = - 574,43 V. Então, o valor procurado de VAx é:
VAx = 312,8 ∠5° V
Agora podemos calcular o valor de X1, ou:
|X1| = |VAx| / |Ica| = 312,8 / 5 = 62,56 Ω
Como se utilizou o módulo, a reatância X1 pode assumir valor positivo ou negativo, isto é, pode ser um indutor ou um capacitor. Como consequência, X2
poderá também assumir dois valores: um positivo (indutor) e outro negativo (capacitor). Deve-se calcular os dois valores.
X1 = +62,56 Ω ⇒ X2 = 42,26 - 62,56 = -20,3 Ω
Neste caso, a reatância X2 deve ser representada por um capacitor, enquanto X1 é representado por um indutor.
X1 = -62,56 Ω ⇒ X2 = 42,26 + 62,56 = 104,82 Ω
Se X1 é representado por um capacitor, então X2
deve ser representado por um indutor.
Item c
Para se calcular a fase de V1 basta realizar a soma fasorial de VAu e VAx. Então:
V1∠φ =VAu+ VAx= 151,05∠35°+ 312,8∠5° = 450∠14,66° V