band brasil
band USA
band espanha







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Figura 59-01
eq58-1K.jpg
eq58-10J.jpg
eq58-7J.jpg

    Gostaríamos de chamar atenção para o fato de que o valor de Xc = 9.947,19 Ω ≈ 10.000 Ω, praticamente, é 100 vezes o valor do resistor de 100 ohms para a frequência de 10 Hz. Por isso, quase não temos queda de tensão sobre o resistor. Assim, toda a tensão da fonte aparece sobre o capacitor.

    Vamos calcular essa relação em dB usando a eq. 59-03, ou seja:

    GdB = 20 log (Vo / Vi ) = 20  log (10 / 10) = 0 dB

    E a diferença de fase entre as tensões que ocorre para a frequência de 10 Hz, dada pela eq. 59-03, é de:

    θ = - tg-1 (R / |Xc|) = - 0,58°

    Perceba que em altas frequências, XC é muito pequeno em comparação com R e a razão R / XC é muito grande, logo θ tende a - 90°. Já em baixas frequências a razão é pequena e θ tende a .

    A ideia básica aqui é aumentarmos a frequência da fonte de tensão e analisarmos como se comporta a tensão sobre o capacitor. Para facilitar nossa jornada, elaboramos a Tabela 59-01 com os valores calculados para Vo (utilizando os passos acima) em função da frequência da fonte. Veja abaixo como ficou:


Tabela 59-01
Frequência (Hz) Reatância (Ω) Tensão de Saída (V) Valor em dB Fase em Graus
10 9.947,19 10,0 0 - 0,58
50 1989,44 9,99 - 0,01 - 2,88
100 994,72 9,95 - 0,04 - 5,74
500 198,94 8,93 - 0,98 - 26,69
1000 99,47 7,07 - 3,00 - 45,15
2000 49,74 4,45 - 7,03 - 63,56
5000 19,89 1,95 - 14,20 - 78,75
10.000 9,95 0,99 - 20 - 84,32
20.000 4,97 0,50 - 26 - 87,15
50.000 1,99 0,20 - 34 - 88,86
100.000 0,99 0,10 - 40 - 89,43

    Perceba que para a frequência de 1.000 Hz, houve uma queda de 3 dB na tensão de saída Vo em relação a Vi. Quando isso acontece, essa frequência é considerada a frequência de corte do filtro. E, exatamente nessa frequência, há uma diferença de fase entre a tensão de saída e a tensão de entrada, igual a 45°. Analiticamente, podemos encontrá-la fazendo:

    Xc  =  R

    Manipulando algebricamente essa igualdade (pois Xc = 1 / (2 π f C ) ), podemos encontrar a equação que permite calcular a frequência de corte do filtro em função dos valores de C e R. Veja a eq. 59-04.

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    eq.   59-04

    Baseado na tabela acima, podemos plotar o gráfico ganho (em dB) versus frequência (em Hz). Veja a Figura 59-02.

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Figura 59-02

    Da tabela acima também podemos plotar o gráfico fase versus frequência (em Hz). Veja na Figura 59-03 como ficou.

graf57-2J.jpg
Figura 59-03

    Também podemos encontrar uma equação que relaciona a tensão de saída e a tensão de entrada em função da frequência considerada e a frequência de corte do filtro. Para isso, vamos considerar o seguinte desenvolvimento:

filtro_eq59-1J.png
filtro_eq59-1K.png
filtro_eq59-1N.png
    eq.   59-05

    A partir dessa equação, podemos expressar o módulo e a fase do ganho do circuito passa-baixa em função da frequência. Assim, em termos de módulo e fase, é possível escrever:

filtro_eq59-1Q.png
    eq.   59-06

    Repare que quando f = fc, pela eq. 59-06, obtemos Vo / V = 0,707 . Usando a eq. 59-03, após o cálculo, verificamos que isso corresponde a um valor de 3 dB abaixo do nível de referência. Baseado nisso, dizemos que a frequência de corte do filtro ocorre quando a tensão de saída está 3 dB abaixo da tensão de entrada, ou Vo / Vi = 0,707.

    Quanto à fase, pela eq. 59-06, observamos que quando f = fc, temos θ = - 45°. Note que pela eq. 59-02, o ângulo θ será sempre negativo (exceto para f = 0 Hz) e, por isso, esse filtro é também conhecido por circuito de atraso.

       Adendo Prático

    Este circuito é largamente utilizado em receptores de FM, na etapa de áudio. Sua finalidade é eliminar a pré-enfase que ocorre nos equipamentos de transmissão de FM. Essa pré-enfase, mais conhecida como pré-enfase em 75 µs, tem o objetivo de dar um ganho adicional de 6 dB/oitava a partir da frequência de 2.122 Hz, indo até a frequência de 15 KHz, frequência esta limite para a banda FM. Logo, no receptor, devemos eliminar essa pré-enfase a fim de conseguirmos, na faixa de 20 Hz a 15 000 Hz, uma tensão "quase" constante na saída do amplificador de áudio. Na literatura técnica, essa resposta do amplificador é conhecida como flat. Isso é obtido, inserindo-se um filtro passa-baixa com frequência de corte em 2 122 Hz, antes do pré-amplificador de áudio. Praticamente, 100% dos receptores de FM no mercado, utilizam esse tipo de filtro passa-baixa. Nos receptores de AM, também é utilizado esse tipo de filtro na saída do estágio chamado detector de áudio. Com isso, elimina-se a rádio frequência e amplifica-se somente o sinal de áudio. Assim, existem inúmeros equipamentos eletroeletrônicos que usam filtros passa-baixa.


        2.2   Filtro Passa-Baixa R - L

    No item anterior, vimos um filtro passa-baixa utilizando um resistor e um capacitor. Agora, vamos analisar um circuito que utiliza um resistor e um indutor em série para formar um circuito passa-baixa. Veja na Figura 59-04 o circuito que analisaremos, onde o valor do resistor é de 100 ohms e o do indutor é de 16 mH. Repare que, em relação ao circuito anterior, houve uma inversão na posição dos componentes.

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Figura 59-04

    Neste circuito, estamos interessados em analisar a tensão de saída Vo que se desenvolve sobre o resistor. Vamos relembrar que a reatância indutiva é dada por  XL = ω L. Logo, ao aumentarmos a frequência da fonte de tensão a reatância indutiva crescerá na mesma proporção.

    Para encontrarmos o valor de Vo, vamos utilizar um divisor de tensão, como fizemos no item anterior. Temos que,   |Z| = √(R2 + XL2). Então, a equação que permite calcular a tensão de saída Vo, é dada por:

eq58-5K.jpg
    eq.   59-07

    A diferença de fase entre a tensão de saída e a da fonte de tensão, representada pela letra grega θ na equação acima, é expressa pela eq. 59-08.

eq59-8J.jpg
    eq.   59-08

    Fazendo o cálculo para f = 10 Hz, encontramos   XL = 1 Ω   e para o módulo da impedância   |Z| = √ (12 + 1002) ≈ 100 Ω. Utilizando a equação com os valores calculados acima, encontramos para Vo o valor de:

    Vo = V  (R / |Z|) = 10  (100 / 100) = 10 V

    Note que, para esta frequência de 10 Hz, a reatância do indutor é tão pequena que o circuito comporta-se como se o indutor não existisse. Para se calcular a fase, basta empregar a equação eq. 59-08 e teremos:

    θ = arctan (XL / R) = 0,58°

    Seguindo os mesmos passos realizados para o filtro anterior e recalculando os valores do módulo de |Z| e Vo, para frequências maiores que 10 Hz, elaboramos a Tabela 59-02 conforme mostramos abaixo.


Tabela 59-02
Frequência (Hz) Reatância (Ω) Tensão de Saída (V) Valor em dB Fase em Graus
10 1,00 10 0 0,58
50 5,03 9,98 - 0,01 2,88
100 10,05 9,95 - 0,04 5,74
500 50,26 8,93 - 0,98 26,69
1000 100,53 7,07 - 3,00 45,15
2000 201,06 4,45 - 7,03 63,56
5000 502,65 1,95 - 14,20 78,75
10.000 1005,31 0,99 - 20 84,32
20.000 2010,62 0,50 - 26 87,15
50.000 5026,55 0,20 - 34 88,86
100.000 10053,09 0,10 - 40 89,43

    Perceba que, comparando as tabelas do circuito R-C e a do circuito R-L, a única diferença que temos é na fase do sinal de saída. Enquanto o circuito R-C apresenta um atraso na tensão de saída em relação ao sinal de entrada, o circuito R-L adianta a tensão de saída em relação ao sinal de entrada.

    Como no caso do filtro passa-baixa R-C, aqui também houve uma queda de 3 dB na tensão de saída Vo em relação à Vi, na frequência de 1.000 Hz. Essa é a frequência de corte do filtro. Analiticamente, podemos encontrá-la fazendo:

    XL   =   R

    Manipulando algebricamente essa igualdade, podemos encontrar a equação que permite calcular a frequência de corte do filtro em função dos valores de L e R. Veja abaixo.

eq58-3J.jpg
    eq.   59-09

    Baseado na Tabela 59-02, podemos plotar o gráfico (Figura 59-05) ganho (em dB) versus frequência (em Hz). Repare que é o mesmo gráfico do filtro passa-baixa R-C apresentado na Figura 59-02.

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Figura 59-05

    Cabe salientar que, para o filtro passa-baixa R-L, as equações eq. 59-05 e eq. 59-06 (acima) também são válidas para este filtro.


        2.3   Filtro Passa-Baixa com Atenuação Limitada

    Em muitas aplicações práticas, não estamos interessados que o sinal na saída seja atenuado, ou até mesmo, eliminado após a frequência de corte. Nosso objetivo é que apenas uma pequena faixa de frequências seja atenuada. Temos então, uma segunda frequência onde, a partir dela, o sinal na saída tenha uma amplitude aproximadamente constante.

    Na Figura 59-07, podemos ver um circuito que preenche esse requisito. Vamos analisá-lo.

    Em primeiro lugar, devemos observar que o sinal de saída é retirado sobre a impedância formada pelo resistor R2 e o capacitor C, ou seja, R2 e o capacitor C agem como carga. Logo, a impedância de carga é dada por ZL = R2 - j XC.

circ58-3J.jpg
Figura 59-07

    Nesse circuito, é fácil perceber que na frequência de 0 Hz, o capacitor representa um circuito aberto. Logo, concluímos que Vo = Vi . Quando aumentamos a frequência para valores bem altos (digamos 100 kHz), o capacitor comporta-se como um curto-circuito. Então, podemos encontrar a tensão de saída Vo com um simples divisor de tensão, ou:

    Vo = Vi   R2 / (R1 + R2)

    Assim, já conhecemos os valores extremos de Vo. Para frequências intermediárias, o valor de Vo é dado por:

    Vo = Vi  (R2 - j XC ) / (R1 + R2 - j XC )

    A partir desta equação, podemos determinar o ganho do circuito, ou seja, a relação entre Vo e Vi. Então:

    Av = Vo / Vi = (R2 - j XC ) / (R1 + R2 - j XC )

    Lembrando que, XC = 1 / (2 π f C) e desenvolvendo a relação acima, chegamos a:

eqfiltro58-8J.jpg
    eq.   59-10

    Na equação acima, os termos que aparecem são:

  • Av - Ganho de tensão do filtro.
  • Vo - tensão de saída do filtro.
  • Vi - tensão de entrada do filtro.
  • fc - primeira frequência de corte do filtro.
  • f1 - segunda frequência de corte do filtro.
  • f - frequência que se quer analisar.

    As frequências fc e f1, podem ser determinadas através das equações abaixo.

eqfiltro58-10J.jpg
    eq.   59-11
eqfiltro58-9J.jpg
    eq.   59-12

    Na Figura 59-08, podemos ver o gráfico da resposta em frequência do circuito. Repare que, conforme as equações acima, fc depende dos valores de C, R1 e R2, enquanto que, f1 depende dos valores de C e R2. Dessa forma, depreendemos que sempre fc < f1, como pode ser constatado no gráfico abaixo.

graf58-1J.jpg
Figura 59-08

    Relembrando que, 6 dB/oitava é equivalente a 20 dB/década.


    3.   Filtro Passa-Alta

    Filtro passa-alta são aqueles que permitem a passagem somente de sinais de altas frequências, atenuando ou eliminando frequências inferiores à frequência de corte do filtro.

    Podemos elaborar diversos tipos de filtros passa-alta. Começaremos analisando o filtro formado com um capacitor e um resistor.


        3.1   Filtro Passa-Alta R - C

    Seja o circuito mostrado na Figura 59-10. É formado por um capacitor em série com um resistor. Estamos interessados em analisar a tensão Vo que se desenvolve sobre o resistor quando variarmos a frequência de operação da fonte de tensão Vi, cujo valor em módulo, estabelecemos em 10 volts.

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Figura 59-10

    Note que o capacitor em série com o resistor forma uma impedância cujo valor absoluto é dado por |Z| = √ (R2 + Xc2). Como queremos calcular a tensão sobre o resistor, podemos aplicar um divisor de tensão e encontramos a equação abaixo.

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    eq.   59-13

    A diferença de fase entre a tensão de saída e a da fonte de tensão, representada pela letra grega θ na equação acima, é expressa pela equação abaixo.

eq59-9J.jpg
    eq.   59-14

    E a equação que determina a frequência de corte desse tipo de filtro, é a mesma do filtro passa-baixa RC dado pela eq. 59-04, repetida abaixo.

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    eq.   59-04

    Vamos começar supondo que a frequência da fonte de tensão seja de 10 Hz. Então, a impedância |Z| apresenta o valor de   |Z| = 9.948,17 Ω.   Aplicando a eq. 59-13 e, lembrando que   R = 100 Ω,   encontramos para Vo o valor de:

    Vo = V  (R / |Z|) = 10  (100 / 9.948,17) ≈ 0,1 V

    Seguindo o mesmo processo de cálculo para as demais frequências, apresentamos a Tabela 59-03.


Tabela 59-03
Frequência (Hz) Reatância (Ω) Tensão de Saída (V) Valor em dB Fase em Graus
10 9.947,18 0,1 - 40 89,43
50 1.989,44 0,50 - 26 88,86
100 994,72 1,00 - 20 84,26
500 198,94 4,49 - 7,0 63,31
1000 99,47 7,07 - 3,00 44,84
2000 49,74 8,95 - 0,96 26,45
5000 19,89 9,81 - 0,17 11,25
10.000 9,95 9,95 - 0,04 5,68
20.000 4,97 9,99 - 0,01 2,85
50.000 1,99 10,0 0 1,14
100.000 0,99 10,0 0 0,56

        3.2   Filtro Passa-Alta R - L

    Seja o circuito mostrado na Figura 59-13 formado por um indutor em série com um resistor. Estamos interessados em analisar a tensão Vo que se desenvolve sobre o indutor quando variarmos a frequência de operação da fonte de tensão Vi, cuja tensão é de 10 volts.

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Figura 59-13

    Note que o indutor em série com a resistor forma uma impedância cujo valor absoluto é dado por |Z| = √ (R2 + XL2). Como queremos calcular a tensão sobre o indutor, podemos aplicar um divisor de tensão, encontrando a equação abaixo.

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    eq.   59-15

    Para encontrarmos a frequência de corte desse tipo de filtro, devemos igualar o valor da reatância indutiva ao valor de R. Dessa forma, vamos encontrar a mesma equação que a do filtro passa-baixa RL, dada pela eq 59-09, repetida abaixo.

eq58-3J.jpg
    eq.   59-09

    Da mesma forma como fizemos no item anterior, vamos supor que a frequência da fonte de tensão seja de 10 Hz. Então, a impedância |Z| apresenta o valor de   |Z| ≈ 100 Ω.   Aplicando a equação acima e, lembrando que,   XL = 2 π f L ≈ 1 Ω,   encontramos para Vo o valor de:

    Vo = Vi  (XL / |Z|) = 10  (1 / 100) = 0,1 V

    Seguindo o mesmo processo de cálculo para as demais frequências, apresentamos a Tabela 59-04.


Tabela 59-04
Frequência (Hz) Reatância (Ω) Tensão de Saída (V) Valor em dB Fase em Graus
10 1,00 0,1 - 40 89,43
50 5,03 0,50 - 26 87,12
100 10,05 1,00 - 20 84,26
500 50,26 4,49 - 7,0 63,32
1000 100,53 7,07 - 3,00 44,85
2000 201,06 8,95 - 0,96 26,44
5000 502,65 9,81 - 0,17 11,25
10.000 1005,31 9,95 - 0,04 5,68
20.000 2010,62 9,99 - 0,01 2,84
50.000 5026,55 10,0 0 1,14
100.000 10053,09 10,0 0 0,57



        3.3   Filtro Passa-Alta com Limitação

    Este tipo de filtro pode ser utilizado quando se deseja uma limitação na atenuação em baixas frequências. Na Figura 59-16, vemos uma configuração de um circuito que desempenha essa função.

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Figura 59-16

    Neste circuito, quando temos f = 0 Hz, o capacitor comporta-se como um circuito aberto e, portanto, a tensão Vo depende só dos valores de R1 e R2. Então, o ganho de tensão pode ser expresso como:

    Av = Vo / Vi = R2 / (R1 + R2)

    Para altas frequências, o capacitor comporta-se como um curto-circuito e Vo = Vi. Assim, o ganho do circuito para as frequências intermediárias estará variando entre R2 / (R1 + R2) e 1, como podemos ver na Figura 59-17:

graf59-1J.jpg
Figura 59-17

    4.   Filtro Passa-Faixa

    Em muitas situações reais de trabalho de alguns equipamentos, é desejável que haja uma limitação em sua largura de banda. Um exemplo típico é o caso da telefonia, onde a resposta do sistema à voz humana está limitado entre as frequências de 300 Hz a 3 kHz. Baseado em várias experiências, essa foi a largura de banda adotada, já que se mostrou suficiente para a inteligibilidade da voz humana mesmo após ser "transportada" por quilômetros em cabos elétricos. E, para essa finalidade, existe o filtro passa-faixa. Em geral, coloca-se um filtro passa-baixa em série com um filtro passa-alta. Assim, o filtro passa-baixa estabelece a frequência de corte superior enquanto o filtro passa-alta estabelece a frequência de corte inferior.

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Figura 59-18
    Na Figura 59-18, podemos ver um filtro passa faixa tipo RC conforme foi descrito acima. Observe que o capacitor C1 em conjunto com o resistor R1 formam um filtro passa-alta, enquanto o capacitor C2 em conjunto com o resistor R2 formam um filtro passa-baixa. As frequências de corte dos dois filtros são mostradas nas eq. 59-16 e eq. 59-17, abaixo.

filtro59-10J.png
    eq.   59-16
filtro59-10J.png
    eq.   59-17

    Esse filtro, da maneira como está mostrado na Figura 59-18, para funcionar adequadamente, deve apresentar as frequências de corte bastante espaçadas entre si. Pela Figura 59-18, percebe-se que o filtro passa-baixa está em paralelo com o resistor R1 que faz parte do filtro passa-alta. Dessa forma, a impedânica formada por R2 e C2, deve ser suficientemente grande em relação à R1 para que o filtro funcione de forma satisfatória.

    Uma das soluções para resolver a limitação desse filtro é o emprego de amplificadores operacionais. Assim, na Figura 59-19, podemos ver o esquema de um filtro passa faixa usando um Opamp. Essa é apenas uma das possíveis maneiras de resolver o problema. Observe que, as eq. 59-16 e eq. 59-17, permanecem válidas para se encontrar as frequências de corte dos filtros. E é possível fazer as frequências de corte bem próximas, pois o Opamp atua como um isolador entre os filtros devido à sua alta impedância de entrada.

filtro59-11J.png
Figura 59-19
    Devido ao filtro tipo RC apresentar problemas com frequências de corte muito próximas, uma alternativa é utilizar um filtro ressonante baseado em um circuito RLC série ou paralelo como visto no capítulo anterior (ressonância).


        4.1     Filtro Passa-Faixa RLC Série

    O circuito deste tipo de filtro é mostrado na Figura 59-20. Uma característica desse filtro é que a tensão de saída não é igual a tensão de entrada na banda de passagem.

filtro59-12J.png
Figura 59-20

    Todavia, é possível determinar em que faixa de frequência, Vo será maior ou igual a 0,707 Vi. Sabemos que na resonância a reatância indutiva anula a reatância capacitiva, pois são iguais em módulo. Então, nessa frequência temos que:

eq59-3J.png
    eq.   59-18

    Por outro lado, sabemos que a frequência de ressonância, fS, do filtro é dada por:

eq57-7J.jpg
    eq.   59-19

    Além disso, o fator de mérito, QS, e a largura de banda, ΔfS, são dadas por:

eq59-4J.png
    eq.   59-20
eq59-5J.png
    eq.   59-21

        4.2   Filtro Passa-Faixa RLC Paralelo

    O circuito deste tipo de filtro é mostrado na Figura 59-21. Neste tipo de filtro também a tensão de saída não é igual a tensão de entrada na banda de passagem.

filtro59-21J.png
Figura 59-21

    Observe que o crcuito do filtro está dentro do retângulo tracejado em vermelho. A impedância deste filtro chamaremos de ZTp, que é o resultado do paralelo ( Rp + j XL ) // XC. Esta impedância atinge seu máximo na frequência de ressonância. Então, podemos calcular a tensão máxima de saída do filtro aplicando um divisor de tensão. Com isso, obtemos a eq. 59-22 abaixo.

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    eq.   59-22

    Por outro lado, podemos calcular a frequência de operação do filtro através da eq. 59-22 abaixo.

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    eq.   59-23

    No capítulo Ressonância, há um estudo detalhado deste tipo de circuito. Para acessar clique aqui!


    5.      Filtro Rejeita-Faixa

    na área de eletroeletrônica, há situações em que o objetivo é não permitir que determinada faixa de frequência atinja a saída do circuito. Esse objetivo é conseguido com o circuito chamado rejeita faixa, também conhecido pelas denominações tais como, notch, banda de atenuação, band reject, etc. Para se construir um filtro rejeita-faixa, usamos os mesmos filtros utilizados no filtro passa-faixa. A diferença é que no filtro rejeita-faixa, usamos o filtro passa-baixa para estabelecermos a frequência de corte inferior, enquanto o filtro passa-alta determina a frequência de corte superior.

    Uma outra possibilidade de se construir um filtro rejeita faixa, é mostrado na Figura 59-22. Nesse exemplo, foi usado um circuito L C série. A frequência de rejeição do filtro pode ser calculada usando a eq. 59-23.

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Figura 59-22

    Devemos compreender que, neste caso, quando o circuito opera na frequência de ressonância estipulada pelos valores de L e C, a reatância do circuito série LC tende a zero, fazendo com que a tensão de saída do filtro se anule. Esse é o objetivo desse tipo de filtro.